Você Não É Infeliz — Suas Regras São Injustas
Artigo 10 de 10 (o último) da série Mentalidade do Aprovado
O que você vai encontrar neste artigo?
- O que são “regras”, segundo Robbins, e por que a maioria das pessoas criou regras impossíveis de cumprir
- A cena do eclipse solar que mostra como a mesma situação gera experiências opostas
- Três critérios para saber se uma regra está trabalhando contra você
- Como redesenhar uma regra para que dependa só de você
- A diferença entre regras de “tenho de” e regras de “deveria”
Pensa numa situação comum: você passa a semana estudando com consistência, cumpre o cronograma, revisa o conteúdo que precisava revisar. No final, faz um simulado e tira uma nota abaixo do que esperava.
E aí? Você se sente bem porque foi disciplinado e evoluiu — ou se sente um fracasso porque o resultado não foi o que queria?
A resposta a essa pergunta não diz nada sobre sua capacidade. Diz tudo sobre suas regras.
O Que São Regras
No capítulo final do livro, Robbins apresenta um conceito que completa tudo que veio antes: as regras são as convicções específicas que determinam, a cada momento, se você está “vencendo” ou “perdendo” o jogo da sua própria vida.
São as condições que precisam ser atendidas para que você se permita sentir bem. Para que você se considere preparado, capaz, merecedor. Para que você acredite que está no caminho certo.
O problema é que a maioria das pessoas criou regras impossíveis de atender — e nem percebe que foram elas mesmas que criaram.
Robbins abre o capítulo com uma cena no Havaí, durante um eclipse solar. Milhares de pessoas viajaram do mundo inteiro para ver o fenômeno. Nuvens cobriram o céu no momento exato da totalidade. As reações foram completamente diferentes — mesmo para pessoas vivendo o mesmo evento.
Um homem ficou transtornado com o dinheiro gasto à toa. Uma mulher repetia que haviam “perdido”. Outra, ao lado, disse que se sentia sortuda só de estar ali. Uma criança olhou para a mãe e lembrou: “Mas está acontecendo agora, mamãe!”
Mesmo evento. Experiências opostas. Por quê? Cada pessoa tinha uma regra diferente para o que precisava acontecer para se sentir bem. E quem sofreu mais foram exatamente aqueles com as regras mais rígidas sobre como o eclipse “tinha de ser”.
Como Identificar uma Regra que Te Enfraquece
Robbins propõe três critérios para saber se uma regra está trabalhando contra você:
É impossível de atender. Se seus critérios são tão variados, complexos e rígidos que você quase nunca vence, a regra é enfraquecedora. Exemplo: “Só me sinto preparado quando domino completamente todos os conteúdos sem nenhuma dúvida.” Quando foi a última vez que isso aconteceu?
Depende do que você não controla. Se a condição para se sentir bem depende de algo externo — a nota do simulado, a opinião do professor, a comparação com os colegas — você entregou o controle do seu estado emocional para o ambiente.
Tem muitos caminhos para se sentir mal e poucos para se sentir bem. Qualquer erro te derruba, mas acertar parece obrigação. Qualquer dia improdutivo gera culpa, mas os dias bons passam sem registro.
Se você se identificou com qualquer um desses padrões, não é motivação que está faltando. É uma regra mais justa.
O Executivo Que Nunca Se Sentia Bem-Sucedido
Robbins conta a história de um executivo que participou de um dos seus seminários. O homem aparecia na lista Fortune 500, era maratonista, amado pela família e pela comunidade. Perguntado se era bem-sucedido, respondeu com toda seriedade: “Não.”
Por quê? Suas regras exigiam salário de três milhões ao ano (ele ganhava um milhão e meio mais dois milhões em bônus — mas “isso não contava”), percentual de gordura corporal abaixo de oito por cento (estava com nove) e nunca se frustrar com os filhos (tinha cinco, cada um seguindo um rumo diferente).
Esse homem não tinha um problema de sucesso. Tinha um problema de regras.
No cursinho, a versão desse padrão aparece o tempo todo: o estudante que passa horas estudando mas nunca se sente suficientemente preparado. Que acerta 70% das questões e só enxerga os 30% que errou. Que tem dias excelentes de estudo mas os descarta porque “não foi o dia inteiro”.
Como Redesenhar as Regras
A solução não é abrir mão de padrões. É criar regras que tornem fácil se sentir bem e difícil se sentir mal — e que estejam sob o seu controle.
Robbins apresenta as regras reformuladas de uma participante chamada Laurie, que vivia em isolamento por conta de regras impossíveis. Antes, sua regra para se sentir amada exigia que todas as suas convicções fossem aceitas por todas as pessoas que conhecia. Depois da reformulação, ficou assim: “Experimento amor sempre que expresso amor, dou amor aos outros, ou me permito receber amor.”
A diferença? A nova regra depende inteiramente dela. Pode ser acionada a qualquer momento.
Para o contexto do vestibulando, o mesmo princípio se aplica. Veja a diferença:
Regra antiga: “Me sinto preparado quando domino completamente todos os conteúdos sem nenhuma dúvida.”
Regra nova: “Me sinto preparado sempre que estudo com foco, sempre que resolvo questões e analiso meus erros, sempre que entendo um conceito novo, ou sempre que persisto mesmo sem vontade.”
A chave está no “sempre que” — que cria múltiplos caminhos para se sentir bem, todos sob seu controle.
Regras de “Tenho de” x Regras de “Deveria”
Robbins faz uma distinção final que vale muito para a rotina de estudos: há regras que você nunca viola porque vincula dor intensa a isso — as regras de limiar — e regras que você sabe que deveria seguir, mas que perderam a força de tanto serem ignoradas.
A diferença está nas palavras: “tenho de” versus “deveria”.
“Deveria estudar hoje” é uma regra fraca. “Tenho de estudar hoje, porque é inegociável para onde quero chegar” é uma regra de limiar.
A pergunta não é o que você deveria fazer. É o que você vai decidir que tem de fazer — e blindar disso em diante.
Conclusão: Ajuste o Baralho ao Seu Favor
Voltemos ao eclipse. As pessoas que mais sofreram não eram as menos inteligentes ou as menos apaixonadas pelo fenômeno. Eram as que tinham criado mais caminhos para a dor e menos para o prazer dentro da mesma situação.
A criança que disse “Mas está acontecendo agora, mamãe!” não era ingênua. Tinha uma regra mais generosa: qualquer coisa que esteja acontecendo pode ser experienciada com presença e alegria.
Você está, provavelmente, a alguns meses de um dos momentos mais importantes da sua trajetória escolar. Nesse tempo, vai errar questões, ter dias ruins, não entender conteúdos que parecia ter dominado, e talvez se comparar com colegas que parecem avançar mais rápido.
A questão não é se essas coisas vão acontecer. É com quais regras você vai recebê-las.
Decida agora que vai se sentir bem-sucedido toda vez que tentar de verdade. Que vai se sentir capaz toda vez que continuar depois de um erro. Que vai se sentir preparado toda vez que aparecer e fizer o que é possível naquele dia.
Ajuste o baralho ostensivamente ao seu favor. Você tem essa permissão.
📚 Toda a série Mentalidade do Aprovado
- Seu Destino Começa Com Uma Decisão — Não Com Um Plano Perfeito
- Por Que Você Faz o Que Faz — Mesmo Quando Sabe Que Não Deveria
- Como a Mudança Acontece de Verdade — e Por Que a Força de Vontade Sozinha Nunca Funciona
- O Que Você Quer de Verdade — e Como Parar de Sabotar Isso
- A Linguagem Que Está Definindo Seus Resultados — Sem Você Perceber
- As Emoções Que Separam Quem Passa de Quem Quase Passa
- Como Criar um Futuro Tão Claro Que Você Não Consegue Mais Ignorar
- O Sistema Invisível Que Está Dirigindo Sua Vida Agora
- Seus Valores São o GPS da Sua Aprovação — E Você Nunca Configurou o Destino
- Você Não É Infeliz — Suas Regras São Injustas — você está aqui
Baseado em: Robbins, Tony. Desperte o Gigante Interior (Rio de Janeiro: BestSeller, 2020) — best-seller de autodesenvolvimento que, usando Programação Neurolinguística, mostra como decisões (não circunstâncias) moldam emoções, finanças, relacionamentos e destino. Esta série é uma adaptação livre para o universo do vestibulando do Enem.
